31/08/2010
5ª edição do Câncer de Mama Gramado (2010) apresenta novos tratamentos
Recente aprovação da ANVISA prevê tratamento sem quimioterapia para determinadas pacientes
No último final de semana, a cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, recebeu os principais especialistas em câncer de mama do país, além de importantes convidados internacionais, na 5ª Edição do Câncer de Mama Gramado. No evento coordenado pelo oncologista Carlos Barrios, diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas da PUC de Porto Alegre (RS) e diretor do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, também em Porto Alegre, e pelo Mastologista Dr. Antônio Frasson, coordenador do Centro de Mama do Hospital da PUC-RS, foram discutidos temas como prevenção, diagnóstico precoce e novos tratamentos.
Paralelamente ao Simpósio Câncer de Mama Gramado 2010, aconteceu a reunião do Grupo Latino Americano de Investigação Clínica em Oncologia (GLICO). Com mais de 40 especialistas de 11 países da América Latina, o grupo se associou ao National Comprehensive Cancer Network (NCCN), organização de maior credibilidade internacional na elaboração de diretrizes para o tratamento de câncer. A iniciativa visa influenciar e qualificar o atendimento de pacientes com câncer de mama em todo o continente.
Em três dias de palestras, que aconteceram no Hotel Serrano, alguns assuntos ganharam destaque, como o tratamento do câncer HER2 positivo, considerado o tipo mais agressivo da doença e que está intimamente associado às metástases e, consequentemente, a taxas reduzidas de sobrevida. Este foi o tema de uma das palestras ministradas pelo oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e presidente do GBECAM (Grupo Brasileiro de Estudos Clínicos em Câncer de Mama), Sérgio Simon.
O professor de medicina e diretor associado para Clinical and Translational Reserach at the Braman Family Breast Cancer Institute at Sylvester, em Miami, Dr. Mark Pegram, também abordou o tema, falando sobre como aperfeiçoar as terapias atuais. Pegram destacou o papel do lapatinibe em combinação com inibidores de aromatases, como o letrozol. No Brasil, a combinação dos dois medicamentos foi autorizada recentemente pela Anvisa — combinação esta também já aprovada nos Estados Unidos pelo FDA (Food and Drugs Administration). Para o médico americano, esta é uma decisão importante para as nações. “Essas aprovações mostram como as agências reguladoras veem a combinação como uma opção segura e uma forma efetiva de tratamento. Trata-se do reconhecimento de sua importância e seus méritos”, explica o oncologista.
Pegram apresentou estudos realizados não só nos Estados Unidos, mas ao redor do mundo, sobre as vantagens desse tratamento para HER2 positivo que acaba de ser autorizado no Brasil pela Anvisa, combinando lapatinibe e letrozol para mulheres pós-menopáusicas com câncer de mama HER2 também positivo para receptor hormonal. Para estas pacientes, o tratamento em questão pode substituir a quimioterapia. “É uma ótima oportunidade de evitar o uso da quimioterapia, porque você tem dois agentes alvo contra os dois receptores mais importantes do câncer de mama”, complementa.
O oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês e Grupo de Mama do Instituto de Oncologia de São Paulo, Ricardo Marques, conduziu uma discussão sobre como a detecção precoce de doença metastática é importante e pode alterar o prognóstico e discutiu casos nos quais utilizou o lapatinibe como tratamento.
Além de oncologistas, mastologistas de peso também estiveram presentes no encontro, como a Dra. Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA). Maira defende a medicina exercida baseada em evidência personalizada, que cada vez mais se beneficia de novas e promissoras drogas-alvo para tratamento, e reforça a necessidade de fazer com que novas opções de medicamentos estejam disponíveis para todas as pacientes. “Precisamos fazer com que as drogas orais sejam pagas não só pelos convênios, mas pelo próprio SUS. Entre a aprovação da Anvisa até que este novo tratamento chegue à paciente, não podemos mais esperar tanto tempo.”
Sobre a nova indicação terapêutica para o lapatinibe
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de conceder a alteração na autorização condicional de comercialização do lapatinibe (Tykerb®), da GlaxoSmithKline (GSK), no Brasil, para uma nova indicação terapêutica. O lapatinibe, desta vez combinado com o letrozol — um inibidor da aromatase (AI) — já pode ser usado no tratamento de mulheres pós-menopáusicas com câncer de mama metastático com superexpressão de HER2 (ErbB2), positivo para o receptor hormonal (HR+), e para as quais a quimioterapia pode não estar prevista.
A nova indicação desafia a opção de tratamento até então utilizada, quando o lapatinibe — que é uma terapia alvo-dirigida oral —, deveria ser, obrigatoriamente, combinado com a capecitabina, um tipo de quimioterápico também oral. “Vivemos um novo momento, no qual o oncologista poderá ampliar suas escolhas de tratamento, adequando-o ao perfil de suas pacientes. A novidade beneficiará muitas mulheres que sofrem com o doença, já que 70% das que têm câncer de mama são hormônio positivas”, destaca o Dr. Císio Brandão, gerente médico da GSK Oncologia.
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