05/08/2021

'Eu lidei muito bem psicologicamente com o câncer' diz Sabrina Parlatore

Imagem de Chamada

Em 2015, a apresentadora e cantora Sabrina Parlatore, 46 anos, foi diagnosticada com tumor na mama. Seis anos depois, ela conta a sua experie?ncia

Como voce? descobriu o ca?ncer?

Desde os 20 e poucos anos, eu ia ao ginecologista uma vez por ano e fazia os exames indicados, que na e?poca era o ultrassom de mama. A partir dos 35, comecei a fazer mamografia tambe?m. Em 2014, tumor apareceu no ultrassom, mas não na mamografia. O me?dico vacilou e não pediu bio?psia, embora houvesse indicac?ão. Depois de uns meses, eu senti um caroc?o na mama esquerda. Na hora, nem me lembrei daquele exame. Fui a um mastologista e, quando ele viu meu ultrassom e mamografia, ja? de cabelo em pe?. Ele pediu uma bio?psia e o resultado veio: ca?ncer de mama do subtipo triplo-negativo.

Como foi receber o diagno?stico?

Pela expressão do me?dico ao ver os exames, eu ja? tinha sentido que era se?rio. Demorou seis dias para sair o resultado da bio?psia, e eu fui trabalhando aquilo na minha cabec?a. Mesmo assim, quando ele contou que era maligno, parece que o chão se abriu e eu cai? num buraco. Fiquei totalmente ae?rea e assustada. A minha primeira pergunta foi sobre a gravidade da situac?ão. Ele me tranquilizou dize que era um tumor inicial, pelo tamanho. Explicou que tinha cura e tratamento. Depois disso, o dia ficou tão intenso de informac?o?es e exames, que eu fui diluindo o impacto aos poucos. Foquei na solução e pensei: eu preciso ficar otimista. Eu lidei muito bem psicologicamente com tudo.

O que fez, então?

Antes de decidir o tratamento, eu procurei mais dois profissionais, porque eu acho sempre bom ouvir outras opiniões. Os médicos diferem sobre o protocolo de tratamento, por isso é legal ver qual deles te deixa mais segura. Um médico propôs uma cirurgia muito mais radical do que a que eu fiz. Tem que avaliar muito, pesquisar, olhar o currículo dos profissionais e ouvir opiniões sobre ele.

Como foi o tratamento?

Fiz uma cirurgia e tirei só um quadrante da mama esquerda, com o tumor e uma margem de segurança em volta. O médico fez uma incisão de uns 2 centímetros na auréola, que hoje é invisível. Meu seio não mudou nada, nem precisou de silicones. Eu fiquei muito feliz. Depois vieram 16 sessões de quimioterapia, a parte mais arrasadora. A gente ouve falar mais da queda do cabelo e do enjoo, mas efeitos colaterais vão muito além, são pelo menos 50 sintomas. A químio não difere células saudáveis e ruins, ela mata todas aquelas com característica de reprodução acelerada. Tem que tomar uma série de providências para evitar sintomas ainda. Eu tina muita enxaqueca e sentia aversão a cheiros. A pele ficou muito fina e os meus cremes para o corpo eram especi?ficos para pacientes oncolo?gicos. fiz 33 sesso?es de radioterapia.

Por que voce? decidiu tornar pu?blico o seu diagno?stico depois do tratamento?

Durante o tratamento, eu achava que nunca ia falar pra ningue?m, porque era algo muito pessoal. Naquele momento, era muito difi?cil expor uma histo?ria, sem nem saber direito o que estava acontecendo. Eu me sentia mal, não conseguia sair na rua. E? o?bvio que cada um lida de uma forma. Há pessoas que, ao contra?rio, preferem dividir a dor. Mas eu sou conhecida, sabia que teria que lidar uma avalanche de pessoas me procurando e que isso ia demandar muita energia. So? que, durante tratamento, comecei a sentir necessidade de trocar informac?o?es com outras pacientes. Pelas redes sociais, comecei a me corresponder com muitas mulheres dentro e fora do Brasil. Li livros de pacientes que passaram por isso, me tornei amiga dessas autoras. Essa troca foi muito enriquecedora, porque me senti acolhida e percebi que os meus sentimentos eram normais. Comecei a amadurecer a ideia de contar a minha histo?ria, porque, se eu falasse publicamente, poderia ajudar muita gente. Foi o que de fato aconteceu. So? esperei o tratamento acabar para eu me recuperar um pouco do tranco, porque um atropelamento. Depois de poucos meses, eu contei a histo?ria.

Voce? ficou com sequelas?

Eu levei uns 2 anos para sentir o meu corpo normal, sem dor nas articulac?o?es e sem inchac?o por corticoide. Ate? hoje eu tenho umas sequelas, como uma dor no ombro e um cansac?o. O tratamento mexeu muito com a parte hormonal tambe?m. Fiquei sem menstruar por muito tempo. Hoje, o ciclo é superirregular e estou praticamente na menopausa.

Hoje voce? esta? curada?

Falar de cura e? relativo. Eu poderia dizer que estava curada 15 dias depois do diagno?stico, quando retirei o tumor na cirurgia. Na minha cabec?a, eu estava. O meu caso se tratou de um tumor inicial mama, com mais de 95% de cura. Mas a doenc?a não e? matema?tica, não tem a garantia de que nunca mais eu terei ca?ncer, nem eu, nem ningue?m. Eu serei eternamente uma paciente oncolo?gica, porque tenho que fazer acompanhamento a vida inteira. Faz seis anos que eu fac?o exames e, grac?as a Deu tudo o?timo.

O voce? acha importante que as pessoas saibam sobre o ca?ncer de mama?

As pessoas ficam muito assustadas com a palavra ca?ncer, mas existem milhares de casos. Quando gente fala do ca?ncer de mama, a grande maioria se cura. Por isso a gente fica em cima para as mulheres fazerem acompanhamento me?dico e, se for o caso, pegar a doenc?a no ini?cio. O problema e? quando diagno?stico e? tardio. Ha? mulheres que, por medo, preferem não ir ao me?dico. Agora, se voce? for fa exame todo ano, voce? salva a sua vida.

“Ha? muita noti?cia falsa sobre o ca?ncer na internet. Acessar fontes de qualidade e? fundamental para não cair em ciladas.”

Onde buscar informac?o?es confia?veis sobre a doenc?a

Oncoguia - http://www.oncoguia.org.br/

Criada com o objetivo de ajudar a pessoa com diagno?stico de ca?ncer a viver melhor, a ONG tornou tambe?m um portal informativo sobre a doenc?a para pacientes, seus familiares e pu?blico em geral. um canal de atendimento nacional e gratuito: 08007731666.

Inca - https://www.inca.gov.br

O Instituto Nacional de Ca?ncer e? o o?rgão auxiliar do Ministe?rio da Sau?de para desenvolver ac?o?es d prevenc?ão e o controle da doenc?a no Brasil. No site, o usua?rio encontra estati?sticas e informac?o?es fatores de risco e prevenc?ão para cada tipo de ca?ncer.

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