26/01/2021

Rosa e Amor chega aos 20 anos com disposição renovada

Imagem de Chamada

Em 2020, o Grupo Rosa e Amor completou duas décadas de existência. Com sua sede em Valinhos, a associação é reconhecida como referência na Região Metropolitana de Campinas (RMC) pelo acolhimento e o trabalho multidisciplinar oferecido a mulheres com câncer e seus familiares. Atualmente, as 450 pacientes atendidas pela associação contam com profissionais e voluntários capacitados que oferecem assistência nas áreas de serviço social, enfermagem, psicologia, fisioterapia, nutrição, terapias integrativas e apoio jurídico, entre outros serviços parceiros.

O Rosa e Amor, que tem como presidente a médica Márcia Camargo, também é responsável por treinar, capacitar e reciclar, sistematicamente, profissionais da rede pública de saúde de Valinhos. Desta forma, as mulheres não são atendidas apenas por médicos, mas também por enfermeiros e outros funcionários qualificados para identificar as necessidades de cada paciente, incentivando sempre a realização de exames para diagnóstico precoce.

Em 2020, diante da pandemia de Covid-19 e perto de celebrar duas décadas de trabalho, a associação não mediu esforços para transformar a extensa programação presencial de aniversário em lives para uma plateia virtual de milhares de pessoas.

Na impossibilidade de realizar os bazares, que garantem a cobertura de um terço das despesas da associação, empenhou-se em campanhas para dar continuidade ao atendimento às mulheres com câncer e suas famílias. Em tempo algum deixou de levantar suas bandeiras pelo diagnóstico precoce da doença, pela prevenção e pela qualidade de vida. Em seus 20 anos, o Rosa e Amor cumpre uma missão que se renova em disposição e projetos prontos para serem colocados em prática em 2021.

Entre muitos projetos importantes desenvolvidos pelo Rosa e Amor, Márcia Camargo destaca o Salvando Vidas. Com o apoio da Prefeitura e financiamento da Roche Brasil, a proposta visa identificar dificuldades e propor soluções para a plena efetivação da Lei dos 30 Dias na região (Lei nº 13.896/2019). “Entre a consulta e o diagnóstico de câncer, esta lei prevê que o paciente não espere mais que um mês para ter a confirmação do diagnóstico, aumentando as chances de cura da doença”, afirma a presidente da associação.

Na rede pública de saúde brasileira, o tempo médio para diagnóstico do câncer é de 270 dias, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União. A demora faz com que cerca de 80% dos pacientes iniciem o tratamento em estágios mais avançados da doença. O principal benefício da Lei dos 30 Dias, observa Márcia, é diminuição do tempo, entre a consulta e o diagnóstico, o que aumenta as chances de cura.

Na linha do diagnóstico precoce, o Grupo Rosa e Amor também defende a realização da mamografia em mulheres a partir dos 40 anos. “Mais da metade das pacientes atendidas pela associação têm menos de 50 anos e foram diagnosticadas com câncer de mama”, diz a presidente. Segundo Márcia Camargo, é fundamental que o acesso ao exame seja intensificado nesta faixa etária.

ENTREVISTA DRA. MÁRCIA CAMARGO, PRESIDENTE DO GRUPO ROSA E AMOR

 A pandemia mudou a realidade do diagnóstico do câncer na região? Qual é a situação atual?

O impacto da pandemia foi extremamente negativo. Na avaliação nacional, cerca de 60% dos diagnósticos oncológicos atrasaram. No Grupo Rosa e Amor, tivemos 130 novos casos em 2019. Em 2020, ano em que a pandemia foi anunciada, foram 74 casos novos de câncer, sendo 61 de mama. No nosso município, os exames de mamografia ficaram parados de abril até setembro e só depois foram retomados. No ano passado, foram realizadas em média de 7,5 mamografias/dia, ou seja, menos de um terço dos exames que deveriam ter sido feitos em 2020. Nós defendemos que a mamografia seja feita também em mulheres a partir dos 40 anos. Na associação, mais da metade das pacientes diagnosticadas com câncer de mama têm menos de 50 anos. A mamografia é um exame muito importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama.

A associação está sempre à frente de grandes projetos para divulgação da realidade, da prevenção e dos direitos dos pacientes com câncer. Há, por exemplo, o Salvando Vidas, sobre a Lei dos 30 Dias. Por que esses projetos são importantes e em quais novas frentes o Rosa e Amor deve atuar em 2021?

Além de trabalhar no acolhimento de 450 mulheres com câncer de mama e seus familiares, o Rosa e Amor atua no levantamento de estatísticas e evidências com este grupo de pacientes. Os dados que coletamos são apresentamos com a expectativa de rever políticas públicas e organizar do serviço de saúde da melhor forma para que o diagnóstico seja o mais precoce possível. Por meio de laboratórios, conseguimos o financiamento de projetos para implantar leis que já foram aprovadas e dependem muito do gestor municipal. Uma delas é a Lei dos 30 Dias. Apesar da pandemia e da transição de governo, esperamos que a legislação seja plenamente implantada. Esta lei trata do acesso mais rápido ao diagnóstico precoce. Quanto mais agilidade no diagnóstico para o início do tratamento, mais cedo o paciente consegue qualidade de vida e muito mais sobrevida.

Por que trabalhar com filhos de mulheres com câncer?

Em 2020, o Rosa e Amor teve a oportunidade de entrar para o Conselho Municipal da Criança e Adolescente. Para nós é extremamente importante. Há muito tempo queríamos desenvolver um trabalho com os filhos das pacientes de câncer e de mulheres que não conseguiram sobreviver à doença. Durante o tratamento, as mulheres ficam muito fragilizadas, assim como seus filhos, que também precisam ser assistidos por profissionais capacitados. Estamos desenvolvendo um projeto, que está praticamente pronto. Nesta proposta vamos contar com uma psicopedagoga, uma arteterapeuta, uma psicóloga e uma assistente social para acolher todo esse grupo. Esperamos que a Associação consiga implantá-lo este ano. Os profissionais já foram escolhidos e são pessoas de grande capacidade e experiência em suas áreas de atuação. Queremos chegar ao ponto de encaminhamento profissional dos adolescentes, filhos dessas mulheres que estão com dificuldade de acolher de forma integral os seus filhos.

O mercado de trabalho é outro foco do Rosa e Amor. O que se pretende fazer em relação às mulheres acometidas pelo câncer?

Este ano, outro foco do Rosa e Amor é o fortalecimento e o empoderamento das pacientes após o tratamento para voltar ao mercado de trabalho. Muitas mulheres, depois de passarem pela experiência do câncer, têm dificuldade para retomar as mesmas funções. O mercado de trabalho precisa dar espaço a elas. Muitas são responsáveis pelo sustento de suas famílias. E suas competências profissionais são inquestionáveis. Além do câncer, a mulher sofre violência doméstica. A associação pretende atuar também sobre este tema.

Por que precisamos falar mais sobre outros tipos de câncer que acometem as mulheres?

Por muito tempo, o Rosa e Amor acolheu pacientes com câncer de mama. Depois passamos a atender câncer ginecológico e há três anos acolhemos todo tipo de câncer da mulher. O câncer de mama, muito relevante, é o que mais mata mulheres. Em 2020, tivemos 19 óbitos constatados na associação, sendo 9 de câncer de mama e 10 de outros tipos de câncer. Neste momento, estamos desenvolvendo o projeto “Semeando conhecimento e colhendo vidas” para sensibilizar e capacitar profissionais de saúde voluntários e cuidadores sobre o trabalho com pacientes oncológicos. Precisamos de financiamento e esperamos que toda a comunidade se envolva de alguma forma para melhorar a qualidade de vida das pessoas com câncer e salvar mais mulheres.

 

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